Histórico do setor florestal madeireiro e sua importância para o Estado do Pará

Histórico do setor florestal madeireiro e sua importância para o Estado do Pará

Em 1920 Belém, como metrópole regional, contava com 232.402 habitantes e classificava-se como a quinta maior cidade brasileira (Fonte: Amazônia: Desenvolvimento e Ocupação, IPEA série monografia n.º 29, 1979).

É de se prever o grande consumo de madeiras em Belém originadas da região, haja vista que naquela época a distância e a dificuldade de acesso e transporte ao Estado do Pará (os meios de transportes eram aéreos, fluviais e marítimos até o final de 1950) funcionava como uma barreira a entrada de produtos extra locais.

A madeira consumida nas demais regiões do Brasil, era toda originada do bioma Mata Atlântica predominando a araucária (Araucaria angustifolia), no planalto sulista, e outras espécies de “madeira-de-lei” encontrada nesta formação florestal.

Inicialmente, pela inexistência de rodovias cortando a floresta, a exploração florestal estava centrada nas margens dos rios.

Foi com a exaustão dos recursos florestais existentes nas regiões sul e sudeste do Brasil, e com a abertura dos grandes eixos rodoviários de integração que houve a migração das serrarias para a região norte, atraídas pela fartura de madeira originada dos desmatamentos incentivados pelo governo federal para ocupação e desenvolvimento da região amazônica. Nos anos 60 a atividade florestal/madeireira já tinha uma expressiva participação na sócio economia da região.

Até 1973 as exportações de madeira em tora representavam 60% do total dos produtos de madeira que saiam dos portos do Estado do Pará com destino ao exterior.

A proibição das exportações de madeira em tora foi a primeira bandeira de luta da AIMEX, por entender que para o setor crescer era preciso agregar valor ao produto.

A AIMEX, num trabalho político articulado com outras entidades do setor localizadas no sudeste do Brasíl, conseguiu que o governo federal, através da Resolução n.º 177 do Conselho Nacional do Comércio Exterior – CONCEX, de 03/10/1989 (publicada no D.O.U. de 16/10/1989), proibisse definitivamente a exportação de madeira em tora originada de florestas nativas (continua sendo permitida a exportação de madeira em tora - espécie exótica ou nativa - originada de reflorestamento) com a justificativa, entre outros, de garantir o suprimento interno de matéria prima com vistas a incentivar a exportação de produtos com índices crescentes de beneficiamento e de manufaturados de madeira.

No início dos anos 90 a verticalização do parque industrial instalado no Estado do Pará recebeu enorme estimulo com a medida do presidente Fernando Collor de Mello (15 de março de 1990 a 29 de dezembro de 1992), que baniu a reserva de mercado e abriu as importações para modernizar o parque industrial brasileiro.

A partir de então, as importações de máquinas e equipamentos possibilitou um salto na qualidade do produto final que atendeu o exigente mercado importador, permitido um expressivo crescimento nas exportações de produtos com maior valor agregado.

Atualmente cerca de 65% das exportações de madeira do Estado do Pará são de produtos com elevado valor agregado (pisos, compensados, cabos de ferramentas, portas, artefatos para mesa e cozinha, etc.).

As exportações de madeira do Estado do Pará atingiram o seu ápice em 2007 com o valor total exportado de US$ 792.820.353. Diversos fatores contribuíram para que ocorresse a atual retração, entre eles a crise internacional de 2008, a burocracia e o aumento do “comando e controle” dos órgãos ambientais em relação desproporcional a sua deficiente infraestrutura técnica e administrativa que permitisse liberar, sem prejudicar a legislação ambiental vigente, os processos de licenciamento em tempo hábil. Ou seja, o órgão ambiental que é deficiente para analisar e liberar as licenças é o mesmo que é eficiente através do “comando e controle”, para cobrar o que ele mesmo tem dificuldade para liberar.

PIONERISMO

A Aimex foi pioneira na realização da FEIRA DE MÁQUINAS E PRODUTOS DO SETOR MADEIREIRO e do CONGRESSO INTERNACIONAL DE COMPENSADOS e MADEIRA TROPICAL.